Deceptive.
É muito bom confiar nas pessoas que estão a sua volta. É ótimo se sentir querido, importante e essencial em um lugar onde você ama estar. É maravilhoso poder olhar pra trás e ver que sua decisão de acreditar no melhor de cada um foi correta e proveitosa. Pena que comigo não fosse assim.
• • •
Havia horas eu estava esparramada na cama, remoendo melancolicamente todo o azar que tinha de ser eu mesma, como qualquer transtornado-bipolar-em-fase-baixa normal.
Meu namorado morava a infelizes dois mil quilômetros de distância e não podia perder aulas pra me ver antes do meu aniversário. Meu melhor amigo se recusava a me dirigir a palavra por se achar a pessoa certa para o meu futuro e também estava bastante longe. Meus dois amigos-pra-caralh* da cidade eram um hiperativo e uma cética, que representavam 50% do contingente terceranista que me diriga a palavra na escola. Diga-se de passagem, nenhum deles estava na minha sala.
Sim, a sala do verão, que eu imaginava ser um grande progresso na minha tentativa de socialização. Aquela do nerd simpático e da garota com probabilidades enormes de ser minha amiga. Aquela em que, depois de algumas semanas com oportunidades frustradas, ninguém falava comigo mais do que o necessário ou sequer percebiam que eu existia ali, na terceira cadeira da última fileira. Aquela onde as fofoqueiras de plantão insistiam em se agrupar na minha frente e impedir que eu assistisse as aulas ou ouvisse o que o professor dizia mais claramente que as novidades da semana. Aquela que, fatalmente, virou um inferno.
É muito triste não poder confiar nas pessoas que estão a sua volta. É horrível não se sentir querido, importante e essencial em um lugar onde você já detesta estar. É deprimente olhar pra trás e ver que sua decisão de acreditar no melhor de cada um foi simplesmente estúpida e sem sentido. Graças aos céus, eu descobri cedo o suficiente que se esparramar na cama não resolve problema de ninguém e as coisas não são mais assim.
• • •
Se prepare, Caio, porque eu vou te perturbar muito na NOSSA turma. Muahaha.