Sobre você.
Acho mesmo que fui muito injusta. Só falei dos seus olhos verdes, do sorriso torto alinhado e de como a lembrança deles me machucava. Disse apenas que tinha ido embora, sendo muito egoísta ou muito burro, e que depois tinha voltado como se nada tivesse acontecido. Não sei se escrevi isso, mas talvez todos tenham pensado que você foi covarde também. Uma ofensa.
Se eu fose honesta de verdade, teria comentado como você me fazia rir. Teria dito que a maior parte dos meus amigos te adora e que você foi o único namorado que a Sofia e o Augusto aprovaram logo de cara. No mínimo. Mas só isso não compensa!
Eu já deveria ter falado que você não se importou com o meu estado depressivo-autodestrutivo quando me conheceu e não se afastou de mim, nem nessa época nem quando todos as pessoas em que você confiava imploravam que você se afastasse. Nunca contei que, mesmo antes de ser meu namorado, foi você quem me levou desmaiada até a enfermaria quando uma barra de ferro caiu na minha cabeça, quem me ligou pra saber porque eu não ia há uma semana pra a escola ou quem, pela primeira vez, me defendeu das garotas que insistiam em fofocar da minha vida e me deu meu chocolate preferido na Páscoa. Também não falei que você aprendeu a tocar violão só pra cantar "Último Romance" pra mim, que me deixava assistir desenhos horas seguidas e, quando eu adormecia no seu colo, me levava nos braços pra a cama se esforçando pra não me acordar. Não disse a ninguém que, quando seu pai foi transferido pra o lugar que você mais gostava no mundo, você brigou com quem precisou e ficou messes sem sua família pra continuar na minha cidade.
Talvez porque não saibam disso, as pessoas achem que eu sou uma boba de confiar de olhos vendados. Mas que alternativa eu tinha? Como eu poderia não deixar de lado o orgulho por alguém que deixou muito mais que isso por mim?
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Você me faz sentir muito mais que uma simples observadora da minha própria vida. Obrigada.
