By Olívia


 
 

The last one.

     Este é o último post da semana com Rafael no meio, eu prometo. Na verdade, é muito mais um desabafo que um texto construtivo! A criatura foi pra uma festa com os amigos. Festa essa onde vão estar todas as adoráveis colegas de turma dele. Amigos esses que torcem constantemente pra que ele me deixe pra lá e pegue geral, ou seja, as colegas. Ah! Colegas essas que contam com a presença de 'antigas conhecidas', se é que me entendem.
     Ok, a culpa disto tudo é minha. Eu devia ter dito que estava livre no sábado assim que ele perguntou, e não ter sido sincera ao ponto de comentar os trabalhos de Português, Biologia, Inglês, Física, Matemática e Química que eu tenho que terminar até segunda-feira. Como você é BURRA, Maria Olívia.

     Agora eu descobri por que o casal principal de Crepúsculo tem um amor tão perfeito: Eward Cullen não tem ex-namoradas e resolve todos os trabalhos escolares da Bella.


→ 21:21:51 na categoria: Metade de Mim
 

 
 

Not her.

     Rafael se arrumou na cama. Me despertou de alguns pensamentos.
     - Você teve medo? - perguntei, com o ouvido junto ao coração dele.
     - Do que você está falando? - ele se ajeitou de novo, agora de modo que pudesse ver meu rosto.
     - De quando conheci você. Ninguém achava que pudéssemos ir tão longe. Ninguém acreditava, também, que eu seria algo bom na sua vida. Seus amigos fizeram questão de mostrar isso sempre que eu chegava perto.
     Ele refletiu um pouco, depois continuou. - É. Você não deixou que as pessoas tivessem uma boa impressão sua. Seu jeito de encontrar amigos impede que as pessoas sejam suas amigas.
     - Mas não foi isso que eu perguntei.
     Ele sorriu. Como era difícil me concentrar na resposta com ele olhando pra mim daquele jeito! - Não dá pra mentir. Tive receio. Fora o Caio, ninguém chegava pra me dizer nada bom de você. Pensei até em ir embora quando conversei com o Guilherme.
     - O Guilherme tem motivos pra ter cinco pés atrás comigo... - sacudi a cabeça, pra não me perder em outro assunto delicado. - Mas o que ele disse?
     - Ele disse que eu nunca mais ia encontrar alguém como você.
     Argh, o Rafael adora me confundir! - E o que isso tem de ruim?
     - O complemento foi: 'E ninguém vai conseguir destruir sua vida como ela.' - Ele pigarreou, contendo o riso. Sabe que eu odeio essas suposições das pessoas sobre as vilãs de Malhação serem fichinha perto de mim.
     Supiro. - Por isso não entendo. Não entendo por que você não foi embora.
     Ele apertou o abraço. Beijou meus cabelos. - Não vou dizer que não tive medo, mas... As pessoas falavam coisas tão horríveis.
     - Vai dizer que você adora o perigo? Haha²
     - Cara, eu ouvia um monte de parada bizarra e... Quando chegava perto de você, não batia. Eu olhava pra ti e meu estômago revirava só de pensar em me afastar de alguém que me fazia bem. Tudo em você era tão absurdamente transparente que eu só conseguia pensar: "Podia ser qualquer outra pessoa, mas... Não ela."


→ 15:08:05 na categoria: Metade de Mim
 

 
 

Meme, to Nine.

     Este meme consiste em pegar o primeiro livro que você encontrar à sua frente, abrir na página 161, procurar e postar em seu blog a a 5ª frase completa e repassar para outros 5 blogs.

"Sempre digo a você o que estou pensando"
Twilight

     Finalmente, me rendi. Estou terminando de ler o primeiro livro da série. A frase é bastante peculiar: algo que eu digo pra o paranóia-boy há mais de um ano e, argh!, ele não cansa de me fazer repetir, vindo sempre com a resposta: "Eu queria mesmo era poder estar na sua cabeça 24hrs por dia!". E olha que eu nem escolhi!
     As indicadas pra este meme são: Margarida, Luana, Nat, Nanda e... só. :)


→ 18:41:37 na categoria: Bem ou Mal Escritos
 

 
 

What goes around, part III.

     - Posso sentar contigo?
     Ah, mas que pergunta! Nas últimas três aulas, foi isso que ele fez. Como não dava pra comer mais cedo, eu tinha de ir à cantina mais tarde. Quero dizer: o Mateus já tinha largado. Não que ele fosse uma companhia ruim. Ah, qual é! Não importa se cinco anos separam quem somos agora dos pirralhos que se bateram no meio do pátio. Eu passei uma semana com hematomas nos braços e nas costas por causa dele.
     - Claro, Mateus.
     - O que fez à tarde?
     - Pra variar, dei aula. - Não, esse não foi mais um comentário seguido de 'sorriso à la Claire'!
     E ele achava tudo interessantíssimo (ou fingia muito bem!). A mesma resposta meio vaga sempre fazia com que ele começasse a contar seu dia sem ser convidado a fazê-lo. Na verdade, o dia dele era bastante interessante; mas nada que eu não trocaria pelo Rafael, até calado!, do meu lado. E daí, só de pensar nisso, eu começava a viajar no sorriso paralisante, nos olhos verdes, no jeito charmoso de ser discordante...
     - Você também está bem diferente, sabia? - Quê?! Hã? Ah, o Mateus.
     - Um pouco maior, talvez!
     - E mais bonita. Você está muito, absurdamente melhor que antes.
     Eu podia ter respondido: "Oh, e você está encarável como antes!", mas esse não é bem o adjetivo correto. Acho que 'gato' cai melhor, pra as leitoras de revistas femininas. Um moreno de rosto bem marcado, cabelo curto e bagunçado, estilo 'McFly' não é totalmente desprezível, apesar de eu preferir os loiros, altos, branquinhos, estilo 'Chris O'Donnell'.
     - Valeu. Olha, tenho que ir. Meu horário de jantar já acabou.
     - Eu te acompanho!
     - Não! - Ah, cara, não sei dosar a entonação pensando no Rafa. Aliás, não consigo fazer muitas outras coisas quando tô com ele na cabeça.
     O Mateus fez aquela cara de surpreso - Nossa... Desculpa!
     - Bem, entenda... - Haha³ Eu juro, não armei pra uma chance tão boa! - Seus amigos tão olhando pra a gente e acho que não seria legal você ser visto comigo. Afinal, eu nunca vou chegar aos seus pés.


→ 08:05:25 na categoria: Egocentrismo
 

 
 

What goes around, part II.

     O salto baixo dos meus sapatos fazia eco nos corredores da escola. Por um momento, eles eram tudo que eu ouvia. Até que o sino tocou.
     Alunos, alunos e mais alunos. Todos na direção oposta à minha, e a bandeja com meu lanche tremulando. Cotoveladas. Esbarrões. "Mal, tia!" Má hora pra comer. Má hora. "Por que eu não vim mais cedo?"
     Gelado. Molhado. Minha blusa. Meu suco já era.
     - Ah! Desculpa! - O cara tentou se apressar pra pegar meu copo ainda há pouco cheio.
     Mas que droga, meu crachá também! - Não tem problema.
     Ele parou alguns instantes, olhando pra mim.
     - Você estuda aqui há quanto tempo?
     - Uns cinco anos. Por quê?! - Aquela droga ia ficar toda manchada, não queria secar.
     - Acho que já estudei com você. Di Carli, não é?!
     - Olívia. - Justo na hora do meu jantar!
     - É, não deve querer lembrar mesmo de mim. - Ele riu, tentando arrumar a bagunça.
     Desisti de salvar minha identificação e parei pra prestar atenção nele. Cabelo bastante curto, olhos preocupados. E bastante negros. Não que eu seja fã de Pato Fu, mas Perdendo Dentes não deixou de ser a trilha sonora do momento.
     - Ah, acho que lembro. Não se esquecem os melhores alunos da sala tão fácil... principalmente quando você apanha deles. - Finalmente usei o 'sorriso educado' que andei treinando com a Clara. Ela bem que me avisou que, uma hora ou outra, eu teria de parecer simpática! - Bom te rever, Mateus. Você ficou bem diferente depois de São Paulo.


→ 20:14:49 na categoria: Egocentrismo
 

     Não lembro bem se foi no final do mês passado ou no começo desse mês que a notícia se espalhou: uma menina de nove anos, estuprada pelo padrasto assim como a irmã deficiente de catorze anos, estava grávida de gêmeos. Como se a própria situação já não fosse suficientemente bizarra, apesar de estarmos nos acostumando com tais fatos, o que se seguiu contribuiu pra que se tornasse uma polêmica.
     O padrasto de 23 anos, desempregado, foi preso e declarou que a criança o havia seduzido, por isso o abuso sexual, mas que o estupro não aconteceu. E mais: falou que ia pedir um teste de DNA, porque... quem sabe com quem uma pessoa com menos de dez anos anda fazendo sexo, né!?
     A garota e a irmã foram encaminhadas ao Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, entidade pública de referência no estado de Pernambuco. Após a confirmação da violência, a mais nova foi levada ao Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros. Além do estupro, a gestação era de alto-risco; os dois fatores são previstos por lei para a realização do aborto. O procedimento foi feito na quarta passada, e a menina recebeu alta ontem.
     Alguém aí tá percebendo a ausência de uma instituição que, num caso desses, não deixaria de se manifestar?! Pois é: cadê a Igreja Católica? Pra quem não sabe, o catolicismo é absolutamente contra o aborto, não importando qual a situação da gravidez, porque vai contra o direito divino da vida.
     O arcebispo de Olinda, Dom José Cardoso Sobrinho, logo de cara divulgou que ia excomungar todos os profissionais que tivesses participação no aborto (por isso o Imip não quis se envolver e transferiu a paciente!). Como a medicina se sobrepôs à religião, neste caso, Dom José seguiu em frente: comparou o procedimento com o Holocausto, quando os nazistas alemães exterminaram quase seis milhões de judeus. "Ele cometeu um crime enorme, mas não está incluído na excomunhão. Este padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é?! O aborto, eliminar uma vida." Ok, os médicos estavam mais errados que o padrasto, segundo ele.
     Mas não parou por aí, viu? A advogada da arquidiocese, Rilane Dueire, disse: "Seria contra o aborto, mesmo que o estupro tivesse sido com minhas filhas." Pensem o que quiser, prefiro não comentar. Mas vale frisar aqui que a criança em questão tinha apenas 33kgs e 1,36m, ou seja: não tinha o corpo preparado para dar à luz duas outras vidas e corria o risco de ter um rompimento uterino, se são tivesse uma eclâmpia (hipertensão e a presença de proteína na urina) e viesse a falecer, né?!

     Cara, isso me revolta. Me fez até interromper a série pra vir aqui protestar também. Nada contra os católicos, os evangélicos, os espíritas, nem religião nenhuma, ok? O problema é que pessoas formadoras de opinião, líderes de um órgão social tão importante, ainda têm uma visão tão medieval para com os problemas contemporâneos. Sou contra o aborto também, mas é necessário que comecemos a analisar as informações que nos são passadas. Se não, onde vamos parar? Segunda Inquisição?


→ 10:40:32 na categoria: Impressões
 

 
 

What goes around, part I.

     Meus braços eram segurados com muita, muita força, e eu sacudia como se estivesse num liquidificador. As mãos que estavam me machucando eram de um garoto, cabelos cacheados e olhos muito negros. E com muita raiva, também.
      - Você é só uma fedelha, tá entendendo? - ele gritava, sem perceber que eu sequer sabia o que era fedelha.
     Mas eu sabia me defender. - Me solta, seu idiota! - Chutes, chutes, chutes. Uma pena que eu fosse tão magra, porque ele conseguiu me tirar do chão.
     - Você acha que vai me humilhar assim e sair rindo? - Nossa!, ele era forte. Eu só sentia a distância entre os meus pés e o chão aumentar... e o olhar dos outros alunos vidrados na gente.
     - Só porque o melhor aluno da sala parece ter 15 anos, mas tem a mentalidade de dois? Ou só porque você não sabe revidar cortadas, imbecil?
     Minha língua era um pouco mais ofensiva que meu corpo magrelo de 12 anos recém-completos. A altura diminuiu bruscamente. Minhas costas bateram no chão. A mão direita dele segurava meu rosto, a esquerda estava na gola da minha camisa.
     Os olhos ferozes no meus. - Não tente mais gracinhas, sabe-tudo. Está ficando insuportável. Você nunca vai chegar aos meus pés.


→ 13:43:20 na categoria: Egocentrismo
 



Maria Olívia.

Tenho crises de insônia, preguiça de arrumar o quarto e matéria acumulada pra estudar. Escovo os dentes e tomo banho todos os dias, já disseram que eu cheiro a baunilha. Costumava colecionar conchas, mas hoje prefiro os livros. Tenho plena consciência de que deveria assistir às notícias ao invés de desenhos animados. Mais cedo ou mais tarde, eu vou bagunçar tudo. Não se preocupe, sempre acabo dando um jeito! A lição mais importante que aprendi até hoje foi também a mais difícil de todas: não se pode confiar em ninguém.

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